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domingo, 9 de maio de 2010

“Meu caro amigo, as coisas estão melhorando”

“Se tiver bola, eu dou a entrevista”. Essa foi a única exigência do nosso companheiro de pelada, Chico Buarque, numa caminhada entre o metrô e o campo. Uma bola. E eu acabara de informar que o dono da redonda não viria à pelada de quarta-feira. Éramos dez amantes do futebol, órfãos. Sem saber se esse era um gol de letra dele para fugir da solicitação de seus parceiros jornalistas, ou uma última esperança, em forma de pressão, de não perder a religiosa partida, eu, que não creio, olhei para o céu e pedi a Deus: uma pelota! Nada de enigma, oferenda ou golpe de Estado. Ele estava ali, o cálice sagrado da cultura brasileira, que sucumbiu ao ver não uma, mas duas bolas chegarem à quadra pelas mãos de Mauro Cardoso, mais conhecido como Ganso. A partir daí, nada mais alterou o meu ânimo e o da minha dupla de ataque-entrevista, Daniel Cariello. Apesar de termos jogado no time adversário do ilustre entrevistado, tomado duas goleadas consecutivas de 10 x 6 e 10 x 1, tínhamos a certeza de que ele não iria trair dois dos principais craques do Paristheama, e sua palavra seria honrada. Mas o desafio maior não era convencer o camisa 10 do time bordeaux-mostarda parisiense a ceder duas horas de sua tarde ensolarada de sábado. O que você perguntaria ao artista ícone da resistência à ditadura, parceiro de Tom Jobim, Vinicius de Morais e Caetano Veloso, escritor dos best sellers “Estorvo”, “Benjamin”, “Budapeste” e “Leite Derramado”, autor de “A banda”, “Essa moça tá diferente”, “O que será”, “Construção” e da canção de amor mais triste jamais escrita, “Pedaço de mim”? Admirado e amado por todas as idades, estudado por universitários, defendido por Chicólatras, oráculo no Facebook, onipresente nas manifestações artísticas brasileiras – sua modéstia diria “isso é um exagero”, mas sabemos que não é –, sua reação imediata ao ser comparado a Deus foi “em primeiro lugar, não acredito em Deus. Em segundo, não acredito em mim. Essa é a única coisa que pode nos ligar. Então, pra começo de conversa, vamos tirar Deus da mesa e seguir em frente”. Enfim, ainda não creio que entrevistamos Deus, quase sem falar de Deus. Mas foi com ele mesmo que aprendi uma lição, talvez um mandamento: acreditar em coisas inacreditáveis. ==================================================================== A entrevista foi publicada originalmente na revista Brazuca, uma publicação bilíngue sobre cultura brasileira que circula em Paris e Bruxelas. A partir de 3 de maio, a degravação completa estará disponível no site de Brazuca. Também lá, é possível baixar em pdf, desde já, a edição completa de março-abril (inclusive com as fotos de Chico…)
Daniel Cariello, editor de Brazuca e co-autor da entrevista, é colaborador regular da Biblioteca Diplô /Outras Palavras. Escreve a coluna Chéri à Paris, uma crônica semanal que vê a cidade com olhar brasileiro. Os textos publicados entre março de 2008 e março de 2009 podem ser acessados aqui. A reestreia, em que Daniel fala sobre a entrevista com Chico, aqui. Thiago Araújo é diretor de Brazuca.
Foto: Jorge Bispo
A fanha foi ao baile e lá conheceu um cara. Conversa vai, conversa vem, foram para um motel..
Lá chegando, iniciaram as preliminares e ela disse, com toda sua dificuldade de articulação:
Vohê habe, eu hosto de apanhar um houco an-hes de huder. Enhão, Bahe um pouhinho na miha bun-ha?
O cara responde:
Claro, eu te dou umas palmadas nessa sua bundinha gostosa..
Foi tapa, dois, três... E a fanha diz:
Bahe mais fohe, Fiha a Huta!
Ele bateu mais forte.
De novo: Bahe mais fohe!! Fiha a Huta!
E o tapa foi maior.
Cahaio, bahe mais fohe !!! Fiha a Huta, Bahe mais fohe!!!
E o cara achou estranho, mas usou toda sua força para um baita tapão no traseiro da fanha e não satisfeito pegou sua sandália Rider, tamanho 44, embaixo da cama e sapecou no traseiro da fanha com toda força que até rasgou a Rider.
Aí, a mulher levanta cambaleando, pega um pedaço de papel e uma caneta de sua bolsa e escreve:
- Seu imbecil... Bate, mas fode !! Filho da puta!!!
A medida que envelhecemos, começamos a duvidar da nossa capacidade de "fazer a diferença". É nesses momentos que as nossas esperanças são impulsionados por realizações notáveis de pessoas mais idosas, que tiveram a coragem de assumir desafios perante os quais muitos de nós recuam. Harold Schlumberg é uma dessas pessoas:
"Muitas pessoas me perguntam: ‘O que os velhos fazem quando se aposentam? ’ Bem, eu tenho a sorte de ter uma formação em engenharia agronômica, e uma das coisas que eu mais gosto é transformar cerveja, vinho e outras bebidas alcoólicas em urina "

domingo, 2 de maio de 2010

É O CARA !

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito pela revista norte-americana Time o líder mais influente do mundo, figurando no topo da lista anual da publicação, divulgada nesta quinta-feira (29 de abril), que traz os nomes das cem pessoas que mais se destacaram globalmente. No artigo de abertura da lista, o cineasta Michael Moore - convidado para escrever o perfil do presidente -, lembrou a eleição de 2002, na qual Lula foi eleito pela primeira vez, e o “nervosismo” com que o Brasil aguardava a gestão do primeiro operário e sindicalista a assumir o governo. A revista, que classificou o presidente brasileiro como um "genuíno filho da América Latina", destacou ainda o passado de Lula como sindicalista que, enfatiza a Time, chegou a ser preso por liderar um protesto. Ao relatar projetos sociais idealizados pela gestão de Lula, como o programa Fome Zero, o cineasta afirma que os americanos têm uma "lição" para aprender com os brasileiros: segundo a publicação, enquanto o Brasil tenta chegar à condição de país de Primeiro Mundo, cada vez mais os Estados Unidos se parecem com um país de Terceiro. Segundo a Time, Lula busca para o país o que os Estados Unidos chamavam de "O Sonho Americano"- uma das razões pela qual ele é tão popular. Moore, que não esconde a admiração pelo presidente do Brasil, conclui o artigo destacando outra "lição" que, segundo ele, o resto do mundo deve aprender com Lula: "deixe as pessoas ter bom tratamento de saúde, e eles vão causar muito menos trabalho para vocês". A publicação, que apresenta personalidades de diversas áreas de atuação, apresenta outros 24 políticos mundiais, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama – em quarto lugar na lista de líderes -; a ex-candidata à vice-Presidência Sarah Palim; entre outros. http://www.patrialatina.com.br/
Uma mulher mal-encarada, antipática e muito, muito feia, entra nas Lojas Americanas com duas crianças..
O gerente da loja, querendo ser gentil, pergunta para a mulher:
- São gêmeos?
A mulher, fazendo uma careta que faz com que fique ainda mais feia diz:
- Não, paspalho! O mais velho tem 9 e o mais novo tem 7 anos. Por quê? Você, realmente, acha que eles são parecidos, seu idiota?
- Não..., diz o gerente: Eu só não pude acreditar que a senhora foi comida duas vezes!!
Hoje é domingo e esse domingo ainda ousa a ironia de ser de sol. É um domingo de sol. Eu queria que o céu se fechasse em nuvens escuras duma tempestade. Assim eu choraria com chuva. É mais fácil chorar com chuva. Meu sentimento muitas vezes é assim de chuva , molhado, pingado.. Sentimento chorado, lágrimas espessas sobre a natureza que me parece tão cruel desse mundo que não se lava , que nem chuva lava . Pois, se chovesse lá fora, eu olhando da janela, como definir esse meu sentimento senão como vindo do alto cume de mim, o meu céu, para bater, gotas grossas , no fundo de mim, o meu poço ? Eu me alago e entristeço. Eu quase me sufoco nesse sentimento pluvial. Ele me escorre dos cabelos molhados e se prega em minha roupa grudando-a no corpo, ele me abandona acocorada, encharcada e tremida na encruzilhada duma esquina sem abrigo.
Marilene Felinto

O muro Invisível

Quedamos, quedamos inúmeras vezes: sentinelas. Resignificamos, reconstruirmos, nos negamos negando os outros com ristes e desdém: Tijolos por tijolo, cimentos sem massa alicerces sem métrica Quadrantes e quimera no cadafalso que moveu nossa existência; fundo à morte. Invisivelmente, indivisivelmente pouco talvez virem girar o mundo que se escondeu por trás do muro de cada um de nós; Das representações, das sensações, das acusações entre: Tu e eu, tu e eu tu e eu/eu e tu eu e tu eu tu, eu: nós. Na tentativa de reunificação, nada menos atroz, as sandices, As premissas que o tempo revalida, enfim o que somos não seriamos: Antes, antes, antes/ontem, ontem, ontem/hoje, hoje: sós. Aproximamos de fato o que, a fragilidade cava e enamora feito ânima no tempo de envelhecer; morrer nada mais para ir além de nós: idiossincrasias, tautologias, apocalipses em desconstrução: fim dos tempos retorno à caverna, silêncio: Somente o tempo do adeus, na farta partida, negando ilusões, estórias malcriadas: cataclismos que a cisma insiste acender Idas e vindas, idas e vindas, idas e vindas/vem,vem vem, vão: vagando invisivelmente pra além de nós: Muros, nada além. Somente o álibi adormecido em nós. Senão ressentimento, amor de pólvoras e pitadas de fel em via crusis, se a liberdade for tosca. Dário Azevedo.
Resolvi todos os problemas da minha vida: Misturei Iogurte Activia com Johnnie Walker. Tô cagando e andando...

BraZil

Celso Amorim foi chamado por um órgão da grande imprensa norteamericana como “o melhor ministro de Relações Exteriores do mundo”. O que podemos certamente dizer que é o ministro de Relações Exteriores da melhor política externa que o Brasil já teve. Tudo o que o governo Lula mudou da herança recebida, foi bom, foi para melhor, a começar pela política externa subserviente – aquela de tirar o sapato no aeroporto do império, do Celso Lafer. FHC levava o Brasil pelo caminho em que está o México hoje: o do Tratado de Livre Comércio com os EUA, intensificando ainda mais o comércio exterior com aquele que se tornou o epicentro da crise econômica internacional. O México tem mais de 90% do seu comércio com os EUA, ao invés da diversificação que o Brasil implementou e que faz com que hoje a China seja nosso primeiro parceiro comercial e tenhamos uma diversificação do comércio com a Ásia, a África, a América Latina, a Europa e os EUA. Alckmin, em plena campanha eleitoral de 2006 saudava a vitória eleitoral (fraudulenta) do Calderón, no México, dizendo que esse era o caminho que deveríamos seguir. Isto é, os tucanos mantiveram essa orientação de ser aliados subservientes do império, cuja economia decadente leva a que a crise atual fizesse com que o México fosse de novo ao FMI – o que FHC fez três vezes no seu mandato. Na reunião em que os EUA apresentaram a Alca, Hugo Chavez foi o único presidente americano a votar contra. FHC fez belo discurso – segundo o próprio Chavez -, mas votou com os EUA. Não fosse a vitória de Lula e a virada da política externa, o Brasil e todo o continente estariam na situação penosa do México, pelas mãos dos tucanos. O Serra - que não foi convidado para o aniversario da Conceição, ligou e se auto convidou, chegou com flores, recebido com toda a frieza, ao contrário da Dilma, convidada de honra, recebida com aplausos, de pé – quis tirar banca de progressista, dizendo que estaria “mais à esquerda de Dilma”, porque ela não domaria o PMDB. (O problema é que ele não doma, nem quer domar, o PSDB.) Mas critica o Brasil em Honduras, no Irã, diz que vai tirar o país do Mercosul, só podendo colocar no lugar a relação privilegiada com os EUA, que os tucanos sempre tiveram e ainda pregam. Serra queria que tivéssemos a posição que teve o governo deles diante do golpe do Fujimori, de conivência e apoio? A política externa brasileira faz do nosso país um país soberano e isso é insuportável para as elites tradicionais que se acostumaram à subserviência com as potências do centro do capitalismo, que consideram ter relações diversificadas no mundo uma desobediência com as orientações do Império. Quando o antecessor dos tucanos no Ministério de Relações Exteriores do Brasil, Juracy Magalhães, afirmou “O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil” (sic), nenhum órgão da imprensa brasileira – esses mesmos que se transformaram em partidos do bloco tucano, diante da fraqueza dos partidos tradicionais da direita conforme confissão da executiva da FSP – divergiu, até aplaudiram. Não podem assim estar de acordo com uma política que afirma orgulhosamente nossa soberania inclusive diante do maior império da história da humanidade. Serra disse que disse, que não disse, que não teria dito, mas que disse que quer bombardear o Mercosul, reduzi-lo às suas mínimas proporções, que era a situação no governo FHC de que ele participou durante todos os dois mandatos. O que colocar no lugar? O livre comércio com os EUA, certamente, o caminho do Chile – que o Serra sempre tomou como exemplo -, do México, do Peru, da Colômbia, os países com futuro mais comprometido no continente. A política exterior do governo Lula promoveu a integração regional, privilegiou as alianças com o sul do mundo, diversificou nosso comércio exterior. Afirmou o nome do Brasil no mundo, em uma condição de prestígio e de respeito, como nunca tínhamos tido. O que é bom para os tucanos, não é bom para o Brasil. A política externa soberana é condição para a política interna democrática e popular. O Brasil decide este ano se quer consolidar nossa posição no mundo e aprofundar a construção de um país justo ou se voltam os subservientes ao Império.
Emir Sader